Apneia do sono em mulheres: sinais que podem passar despercebidos  

Confira sintomas quase silenciosos desse distúrbio do sono que afeta milhares de mulheres todos os dias
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O distúrbio em mulheres é subnotificado e subtratado 

Apneia do sono é um distúrbio caracterizado por pausas breves na respiração que podem ocorrer várias vezes ao longo da noite e prejudicar a qualidade do descanso e a saúde geral. Segundo a Associação Brasileira do Sono, estima-se que 33% dos brasileiros convivem com o distúrbio, em sua grande maioria homens na faixa dos 40 anos, mas também pode afetar mulheres, especialmente na fase pós-menopausa. 

Os sinais de apneia se manifestam de maneira diferente entre homens e mulheres. Em sua grande maioria, os homens apresentam sinais como:

  • Ronco alto e intenso
  • Engasgos perceptíveis durante o sono
  • Paradas respiratórias mais longas e evidentes

Já as mulheres podem apresentar sintomas como:

  • Ronco leve ou ausência total de ronco
  • Paradas respiratórias mais curtas, podendo passar despercebidas até pela própria paciente

Apesar dos sintomas noturnos serem mais sutis em mulheres, os efeitos durante o dia podem ser mais intensos, como dores de cabeça frequentes, fadiga crônica e problemas de memória 

Condições que favorecem a apneia do sono nas mulheres 

Os estágios de vida da mulher, como gravidez e menopausa costumam ser fatores que podem levar ao desenvolvimento de apneia do sono. Durante a gestação, o crescimento do útero faz com que o diafragma se eleve, o que pode ocasionar problemas respiratórios.  

Por conta da queda natural de estrogênio e progesterona, os músculos tendem a enfraquecer e isso inclui os da garganta. Dessa forma, mulheres na menopausa ou pós menopausa podem desenvolver apneia do sono. 

Adicionalmente, fatores como obesidade são um fator de risco para a apneia do sono em mulheres, mas também em homens. O excesso de gordura na região do pescoço favorece a obstrução das vias aéreas, dificultando a passagem do ar durante o sono e aumentando o risco de episódios de apneia, ronco e interrupções respiratórias. 

Como a falta de diagnóstico da apneia pode prejudicar a saúde feminina e por que isso ocorre?

Como já mencionado, em sua grande maioria as mulheres não apresentam os sintomas considerados “clássicos” como ronco alto e engasgo, mas apresentam sinais como irritabilidade, problemas de memória e mudanças bruscas de humor, que são frequentemente confundidos com estresse, rotina e até mesmo ansiedade. Além disso, a apneia do sono foi considerada uma “doença masculina” durante muito tempo, uma visão criada ao longo de muitos anos de estudos baseado em pesquisas que não incluíam mulheres. Por conta desses históricos, o diagnóstico do distúrbio pode demorar anos, contribuindo para uma piora na qualidade de vida, além de aumentar significativamente o risco de doenças cardiovasculares, como infartos e AVC e no aumento da mortalidade.  

Como identificar o distúrbio e quais as formas de tratamento 

O diagnóstico de apneia do sono é feito através do exame de polissonografia, que não é considerado um exame de rotina, mas o médico pode solicitar para investigar se o paciente possui a condição.  Caso o diagnóstico seja confirmado, existem muitas opções de tratamento, como: 

  • CPAP (Continue Positive Airway Pressure): considerado o mais eficaz, o CPAP é um aparelho que fornece um fluxo de ar constante nas vias aéreas por meio de uma máscara, que faz com que o sistema respiratório fique desobstruído durante o sono. No caso das mulheres, é importante verificar sobre o formato das máscaras, devido a anatomia do rosto ser diferente da dos homens 
  • Aparelhos intraorais: normalmente solicitado por dentistas, os aparelhos intraorais são semelhantes as placas dentárias, que reposicionam a mandíbula ou a língua, de forma que a garganta fique desobstruída. 
  • Exercícios respiratórios: uma das linhas de tratamento é a de exercícios de fonoaudiologia ou fisioterapia respiratória para fortalecimento dos músculos da garganta e da língua, para facilitar o fluxo de ar. 
  • Cirurgias: em casos selecionados, o médico pode recomendar intervenção cirúrgica.  

Sentir esses sintomas não é normal. Se você apresenta qualquer um dos sinais mencionados, procure ajuda médica para investigar a causa e receber o tratamento.

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